Gravidez em Lesionadas Medulares: Riscos, Prevenção e Complicações

Ana Catarina Matias, Joana Machado Santos, Maria Emília Cerqueira

Resumo


A lesão medular na mulher geralmente não está associada a nenhuma alteração hormonal ou ginecológica que impossibilite uma gravidez. A fertilidade normalmente mantém-se intacta após a lesão. Quando desejada, a maternidade deve constituir uma opção real no processo integral de reabilitação, contribuindo para a integração social destas mulheres.

Os principais problemas médicos associados à gravidez das mulheres com lesão medular são as infeções do trato urinário, as dificuldades no manuseamento da bexiga e intestino neurogénicos, a anemia, o tromboembolismo venoso, as úlceras de pressão, a espasticidade, a hipotensão, o parto prematuro e, em alguns casos, a dificuldade respiratória e a disreflexia autonómica.

O parto apresenta especificidades decorrentes das alterações sensitivas e motoras, que são diferentes conforme o nível e tipo de lesão. Existe um risco muito considerável de disreflexia autonómica nas doentes com lesão acima de D6, que deve ser evitado com a instituição de anestesia epidural.

O acompanhamento das lesionadas medulares grávidas deve ser realizado por equipa multidisciplinar, em hospital central, de forma a permitir o reconhecimento e tratamento especializado das intercorrências que possam surgir. Deste modo, a gravidez poderá decorrer de forma segura, culminando no nascimento de crianças saudáveis.


Palavras-chave


Complicações na Gravidez; Gravidez; Lesões na Medula Espinhal; Parto Obstétrico

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.145

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação