Desporto Adaptado no Bem-estar Psicológico do Lesionado Medular

André Cruz, Susana Santos, Paulo Margalho, Jorge Laíns

Resumo


Objetivos: O presente estudo tem como objetivo avaliar o efeito do desporto adaptado no bem-estar psicológico de pacientes com lesões medulares (LM). Material e Métodos: O estudo desenvolvido é de natureza quantitativa e transversal. A amostra é constituída por um total de 28 participantes, sendo um dos grupos formado por 11 LM em fase crónica que praticam atualmente desporto adaptado de competição. O outro grupo é composto por uma população similar de LM em fase crónica, que não realizava desporto adaptado, mas com capacidade de manobrar cadeira de rodas de forma independente. Como instrumento de medida, utilizou-se o questionário de manifestação de bem-estar psicológico (no original, Échelle de Mesure des Manifestations du Bien-Être Psychologique - EMMBEP). Este é formado por um conjunto de 25 itens, que numa escala de Likert (de 1 - nunca a 5 - quase sempre) avalia o bemestar psicológico. A cotação deste instrumento de medida varia entre 25-125 pontos, sendo o bem-estar individual maior quanto maior a pontuação obtida. Estudos psicométricos para a versão portuguesa demonstraram a sua fiabilidade.

Resultados: Através da aplicação do teste t de Student para amostras independentes foi possível verificar que os grupos em comparação apresentam entre si diferenças estatisticamente significativas (considerando p < 0,05) nos níveis do bem-estar psicológico. Constatou-se que, quer ao nível das dimensões específicas, quer ao nível global, os participantes que compõem o grupo de doentes crónicos com prática de desporto adaptado apresentam pontuações médias significativamente superiores quando comparados com os sujeitos que compõem o grupo sem prática de desporto adaptado.

Conclusões: A incorporação em equipas de desporto adaptado apresenta a capacidade de produzir um incremento no bem-estar psicológico de pacientes com LM. Neste âmbito, é importante a atenção e o alerta do clínico na orientação que pode fazer a estes doentes para a realização de desporto.


Palavras-chave


Adaptação Psicológica; Atitude Frente à Saúde; Desporto; Lesões da Medula Espinhal; Qualidade de Vida/psicologia

Texto Completo:

PDF

Referências


Spinal Cord Injuries.[accessed February 09 2015] Available at: http://emedicine.medscape.com/article/793582-overview

Kirshblum SC, Burns SP, Biering-Sorensen F, Donovan W, Graves DE, Jha A,et al. International standards for neurological

classification of spinal cord injury (revised 2011). J Spinal Cord Med. 2011;34:535-46.

DeLisa J, Gans B, Walsh N, Bockenek W, Frontera W, Geiringer S. et al. Physical medicine & rehabilitation: Principles and practice. 4th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2005.

Noreau L, Fougeyrolla, P. Long-term consequences of spinal cord injury on social participation: The occurrence of handicap

situations. Disab Rehabil. 2000: 22:170-80.

Zimmer MB, Nantwi K, Goshgarian HG. Effect of spinal cord injury on the respiratory system: basic research and current

clinical treatment options. J Spinal Cord Med. 2007;30:319-30.

Chiodo AE, Scelza WM, Kirshblum SC, Wuermser LA, Ho CH, Priebe MM. Spinal cord injury medicine. 5. Long-term medical

issues and health maintenance. Arch Phys Med Rehabil. 2007;88(3 Suppl 1):S76-83.

Adams MM, Hicks AL. Spasticity after spinal cord injury. Spinal Cord. 2005; 43:577-86.

Rekand T, Hagen EM, Grønning M. Spasticity following spinal cord injury. Tidsskr Nor Laegeforen. 2012;132:970-3.

De Miguel M, Kraychete DC.. Pain in patients with spinal cord injury: A review. Rev Brasil Anestesiol. 2009; 59: 350-7.

Burns AS, Rivas DA, Ditunno JF. The management of neurogenic bladder and sexual dysfunction after spinal cord injury. Spine. 2001; 26(24 S):S129-S136.

Shephard RJ. Benefits of sport and physical activity for the disabled: implications for the individual and for society. Stand J Rehabil Med. 1991;23:51-9.

Eime RM, Young JA, Harvey JT, Charity MJ, Payne WR. A systematic review of the psychological and social benefits of

participation in sport for adults: informing development of a conceptual model of health through sport. Int J Behav Nutr Phys. Act. 2013;10:135.

Shephard RJ. Benefits of sport and physical activity for the disabled: implications for the individual and for society. Stand J Rehabil Med. 1991;23:51-9.

Shephard RJ. Sports medicine and the wheelchair athlete. Sports Med.1988; 5:226-47.

Rauch A, Fekete C, Oberhauser C, Marti A, Cieza A. Participation in sport in persons with spinal cord injury in Switzerland. Spinal Cord. 2014;52:706-11.

Martin Ginis KA, Jörgensen S, Stapleton J. Exercise and sport for persons with spinal cord injury. PM R. 2012; 4:894-900.

Ditor DS, Latimer AE, Ginis KA, Arbour KP, McCartney N, Hicks AL. Mainte-nance of exercise participation in individuals with spinal cord injury: ef-fects on quality of life, stress and pain. Spinal Cord. 2003;41:446-50.

Hicks AL, Martin Ginis KA, Ditor DS, Latimer AE, Craven C, Bugaresti J, et al. Long-term exercise training in persons with spinal cord injury: effects on strength, arm ergometry performance and psychological well-being. Spinal Cord. 2003; 41:34–43.

Martin Ginis KA, Latimer AE, McKechnie K, Ditor DS, McCartney N, Hicks AL, et al. Using exercise to enhance subjective well-being among people with spinal cord injury: The mediating influences of stress and pain. Rehabil Psychol. 2003; 48: 157-64.

Martin Ginis KA, Jetha A, Mack DE, Hetz S. Physical activity and subjective well-being among people with spinal cord injury: a meta-analysis. Spinal Cord. 2001; 48: 65-72.

Modela F, Busto R, Marçal A, Junior A, Dourado A. Sports on quality of life of individuals with spinal cord injury: a case series, Rev Bras Med Esporte.2011; 17: 254-6.

Manns P, Chad K. Determining the relation between quality of life, handicap, fitness, and physical activity for persons with spinal cord injury. Arch Phys Med Rehabil.2000; 80:1566-71.

Anneken V, Hanssen-Doose A, Hirschfeld,S, Scheuer T, Thietje R.Influence of physical exercise on quality of life in individuals with spinal cord injury. Spinal Cord. 2010; 48: 393–9.

Devillard X, Rimaud D, Roche F, Calmels P. Effects of training programs for spinal cord injury. Ann Readap Med Phys.2007; 50:490-8.

Campbell E, Jones G. Psychological well-being in sport participants and non-participants. Adapt Phys Activity. 1900; Q7:

-21.

Hicks AL, Adams MM, Martin GK, Giangregorio L, Latimer AL,Phillips SM, et al. Long-term body-weight-supported

treadmill training and subse-quent follow-up in persons with chronic SCI: effects on functional walking ability and measures of subjective well-being. Spinal Cord. 2005; 43: 291–8.

Noreau L, Shepard R. Spinal cord injury, exercise and quality of life, Sports Med.1995; 20: 226-50.

Latimer AE, Ginis KA, Hicks AL, McCartney N. An examination of the mechanisms of exercise-induced change in psychological well-being among people with spinal cord injury. J Rehabil Res Dev. 2004;41:643-52.

Almeida LS, Freire T. Metodologia de investigação em psicologia e educação.5ª ed. Braga: Psiquilíbrios Edições; 2008.

Creswell J. Research design - Qualitative, quantitative and mixed methods approaches.2nd ed. Thousand Oak: Sage; 2003.

Alferes VR. Investigação científica em psicologia: Teoria & prática. Coimbra: Almedina; 1997.

Moreira JM. Questionários: Teoria e prática. Coimbra: Livraria Almedina; 2004.

Monteiro S, Tavares J, Pereira A. Adaptação portuguesa da escala de medida de manifestação de bem-estar psicológico com estudantes universitários- EMMBEP. Psicol Saúde Doenças. 2012;13: 66-77.

Hair J, Black W, Babin B, Anderson R. Multivariate data analysis. 7th ed. New Jersey: Pearson Education; 2009.

Howell D. Statistical methods for psychology. 6th ed. Belmont: Thomson Wadsworth; 2006.

Maroco J. Análise estatística com utilização do SPSS. 3ª ed. Lisboa: Edições Sílabo; 2007.

Tabachnick B, Fidell L. Using multivariate statistics. 5th ed. Boston: Allyn and Bacon; 2009.

IBM Corp. IBM SPSS Statistics for windows – version 20.0. Armonk: IBM Corp; 2011.

Budh CN, Osteråker AL. Life satisfaction in individuals with a spinal cord injury and pain. Clin Rehabil. 2007; 21: 89-96.

Post MW, Van Dijk AJ, Van Asbeck FW, Schrijvers AJ. Life satisfaction of persons with spinal cord injury compared to a

population group. Scand J Rehabil Med. 1998;30:23-30.

Putzke JD, Barrett JJ, Richards JS, Underhill AT, Lobello SG. Life satisfaction following spinal cord injury: long-term follow-up. J Spinal Cord Med. 2004;27:106-10.

van Koppenhagen CF, Post MW, van der Woude LH, de Witte LP, van Asbeck FW, de Groot S, et al. Changes and determinants of life satisfaction after spinal cord injury: a cohort study in the Netherlands. Arch Phys Med Rehabil. 2008;89:1733-40.

van Leeuwen CM, Post MW, van Asbeck FW, van der Woude LH, de Groot S, Lindeman E. Social support and life satisfaction in spinal cord injury during and up to one year after inpatient rehabilitation. J Rehabil Med. 2010;42:265-71.




DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.213

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação