A Infiltração de Plasma Rico em Plaquetas Associada à Microtenotomia é Mais Eficaz do Que a Infiltração de Corticosteroide na Fasceíte Plantar Crónica?
DOI :
https://doi.org/10.25759/spmfr.539Mots-clés :
fasceíte plantar, plasma rico em plaquetas, corticoesteróides, fenestração, ecografiaRésumé
Introdução: A fascite plantar (FP) crónica é a principal causa de dor no retropé em adultos sendo o seu tratamento frequentemente desafiante. Este estudo tem como objetivo comparar a eficácia da infiltração ecoguiada de PRP associada à fenestração da fáscia plantar com a infiltração ecoguiada de corticosteroide no tratamento da FP crónica refratária ao tratamento conservador.
Material e Métodos: Estudo prospetivo e comparativo, sem ocultação, conduzido num hospital terciário de janeiro a maio de 2024. Foram incluídos 20 participantes divididos em 2 grupos: no grupo 1, os doentes foram submetidos a infiltração ecoguiada de PRP com fenestração da fáscia plantar (n=10) enquanto no grupo 2 os doentes foram submetidos a infiltração ecoguiada de corticosteroide (n=10). Avaliou-se a dor através da escala numérica da dor (END) e a funcionalidade através do questionário Foot and Ankle Ability Measure (FAAM) no pré-procedimento e pós-procedimento (1 semana, 1 e 3 meses).
Resultados: Uma semana após a intervenção, a pontuação na END foi de 6,8±2,4σ no grupo 1 e de 2,3±3,1σ no grupo 2. Três meses após o procedimento verificou-se uma redução na END para 3,3±3,3σ no grupo 1, enquanto no Grupo 2 observou-se um aumento da pontuação na END para 5,0±3,2σ. Relativamente à FAAM, um mês após o procedimento, observou-se no Grupo 1 uma pontuação de 75,1%±16,2σ, enquanto no Grupo 2 uma pontuação de 90,6%±14,8σ. Aos três meses após o procedimento, a pontuação no Grupo 1 continuou a aumentar, atingindo 83,7%±18,8σ enquanto no Grupo 2 registou-se uma diminuição da pontuação para 67,9%±18,5σ.
Discussão: Os corticosteroides proporcionaram uma melhoria mais rápida no controlo da dor e funcional a curto prazo comparativamente com o tratamento com PRP associado à fenestração da fáscia plantar. Contudo, este último tratamento parece demonstrar uma tendência para uma melhoria mais sustentada do controlo da dor e funcional ao longo do tempo.
Conclusão: A infiltração com PRP associada à fenestração da fáscia plantar demonstrou uma tendência para um melhor controlo da dor e funcional ao 3º mês após o procedimento em comparação com a infiltração de corticosteroide. Este estudo aponta a fenestração da fáscia plantar com infiltração de PRP como uma opção terapêutica segura e eficaz na FP refratária.
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