Hidrodistensão Ecoguiada no Tratamento da Capsulite Adesiva, Uma Arma Terapêutica do Fisiatra: Estudo Prospectivo

José Luis Carvalho, Gonçalo Borges

Resumo


Introdução: Apresentação de um estudo prospectivo de uma série de 14 pacientes com o diagnóstico de capsulite adesiva, submetidos a uma hidrodistensão capsular sob controlo ecográfico, como modalidade terapêutica integrada no tratamento fisiátrico da patologia.

Material e Métodos: Este artigo apresenta um estudo prospectivo de 9 meses. Os pacientes apresentavam um quadro de capsulite adesiva definida clinicamente no estádio II. Foi realizada uma distensão capsular guiada por ecografia e, posteriormente, iniciado um protocolo de reabilitação específico para capsulite adesiva. As medidas de outcome utilizadas foram: escala visual numérica da dor (VNS), o arco de movimento (ROM) passivo do ombro e uma escala funcional de ombro, a UCLA Shoulder scale (University of California and Los Angeles Shoulder scale). Foram efectuadas avaliações clínicas desses parâmetros pré-distensão, imediatamente após a intervenção, aos 6 meses e aos 9 meses de seguimento.

Resultados: Para todos os 14 pacientes verificou-se uma diminuição da pontuação de dor pela VNS, com uma pontuação média pré-distensão de 6,4/10, para uma pontuação pós-distensão ao sexto mês de 4,5/10 e uma pontuação pós-distensão ao nono mês de 4,3/10. A elevação lateral (EL) média pré-distensão era de 117,9º, passando no imediato pós intervenção para 151,4º, mantendo-se no nono mês em 163,6º. A rotação externa (RE) média pré-distensão era de 30,4º, passando no imediato pós-intervenção para 54,6º, mantendo-se no nono mês em 54,3º. A adução/rotação interna (AD/RI) foi avaliada em termos de ganhos de níveis vertebrais, sendo que antes da hidrodistensão as amplitudes variavam entre a região nadegueira e T12, verificando-se um ganho médio de 4,1 níveis vertebrais em AD/RI imediatamente após a intervenção, mantendo ganho de 5,6 níveis no nono mês. Em relação à escala funcional, a pontuação média da UCLA pré-distensão foi de 13,8/35, passando para 25,6/35 no 6.º mês pós-distensão e 25,5/35 no nono mês pós-distensão.

Conclusão: Pelos dados recolhidos neste trabalho, verifica-se benefício da hidrodistensão ecoguiada associada a um plano específico de reabilitação no tratamento da capsulite adesiva, com ganhos clínica e estatisticamente significativos em termos de dor, arco de movimento e função, quer a curto, médio e a longo prazo. Deverão ser realizados mais estudos para aferir do real valor desta técnica na abordagem desta patologia.


Palavras-chave


Bursite/tratamento; Dilatação; Ombro; Resultado do Tratamento; Ultrassonografia de Intervenção.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.223

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação