Vigilância da Anca em Doentes com Paralisia Cerebral: A Experiência do nosso Centro

Diana Ascenso, Filipe Matos, Margarida Freitas, Ana Sofia Neves, Carolina Escalda, Susana Almeida, Cristina Duarte

Resumo


Introdução: O nosso objetivo foi caracterizar os doentes com paralisia cerebral (PC) abaixo dos 18 anos, seguidos na nossa instituição, relativamente à sua caracterização clínica e funcional e à presença de deformidades da anca, bem como orientações cirúrgicas efetuadas.

Material e Métodos: Estudo retrospetivo transversal baseado nos ficheiros de notificação dos doentes com PC, registos clínicos e avaliações radiológicas seriadas da bacia, de acordo com programa de vigilância da anca (PVA) australiano. Análise do grupo com classificações funcionais IV e V e caracterização de deformidades da anca: avaliação radiológica do índice de migração (IM) femoral. Subanálise dos doentes submetidos a cirurgia ortopédica e doentes não intervencionados cirurgicamente. A apresentação dos resultados foi divida em grupos etários (1-5 anos; 6-11 anos, 12-18 anos), consoante a abrangência pelo PVA implementado em 2012, na nossa instituição.

Resultados: Do total de 285 crianças com PC, o grupo com níveis funcionais IV e V foi constituído por 88 crianças. Destas, mais de metade apresentaram subluxação da anca. Foram excluídas 30 crianças. O total de crianças não operadas foi de 35, a análise do IM médio foi de 31,6%. O grupo etário dos 1-5 anos foi constituído por 3 doentes, com um IM de 33,5% e a média da última radiografia da bacia há 7,1 meses. O grupo dos 6-11 anos foi constituído por 13 doentes, com IM de 32,2%, e média da última radiografia há 11,6 meses. O grupo dos 12-18 anos foi constituído por 19 doentes, com um IM de 30,9%, e média da última radiografia há 24,5 meses. Dos 23 doentes operados, 4 foram intervencionados antes do início da implementação do PVA. Dos 19 doentes operados após 2012, realizaram-se 6 tenotomias preventivas com média de idade de intervenção aos 5 anos.

Conclusão: Cerca de metade dos doentes com níveis funcionais IV e V apresentaram subluxação da anca, dos quais 38% já foram operados e em que num terço foram realizadas tenotomias em idades precoces. Os doentes não intervencionados cirurgicamente estão sob vigilância da anca. Nesta população existe uma prevalência alta desta deformidade da anca. Contudo, a articulação com a Ortopedia tem permitido realizar precocemente intervenções cirúrgicas adequadas.


Palavras-chave


Anca; Avaliação de Risco; Criança; Luxação da Anca/prevenção e controlo; Paralisia Cerebral/ complicações

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.333

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação