Espelhos Digitais: Realidade Virtual Aumentada para o Tratamento da Dor do Membro Fantasma

Autores

  • Catarina Vasconcelos Fonseca Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal https://orcid.org/0009-0005-2415-5562
  • Marta Gil Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal https://orcid.org/0000-0003-2324-3710
  • Mariana Soutinho Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal
  • João Rego Diniz Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal
  • Maria João Cotter Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal
  • Lúcia Dias Trás-os-Montes e Alto Douro Local Health Unit, Physical and Rehabilitation Medicine Service, Vila Real, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.25759/spmfr.562

Palavras-chave:

Membro Fantasma, Amputação, Realidade Virtual

Resumo

Introdução: A dor de membro fantasma (DMF) afeta entre 50 % e 85 % dos indivíduos após amputação, sendo de difícil controlo com as atuais terapias convencionais. As intervenções baseadas em realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA) surgem como alternativas promissoras ao envolver os circuitos sensórios- motores e a fornecer feedback visual mais realista. O objetivo deste estudo é rever sistematicamente a evidência atual relativa à eficácia dos tratamentos por RV/RA na DMF nos doentes amputados.

Métodos: Foram consultadas as bases de dados PubMed e Scopus para identificar estudos que avaliassem terapias de RV/RA não imersivas ou imersivas em adultos com DMF. A investigação realizou-se em janeiro de 2025, e dezassete estudos (cinco ensaios clínicos randomizados e doze estudos prospetivos) cumpriram os critérios de inclusão. Foram extraídos e sintetizados dados sobre o tipo de intervenção, escalas de quantificação da dor e medidas secundárias (qualidade de vida, usabilidade).

Resultados: Dos 17 estudos incluídos, seis foram classificados como não imersivos. Utilizaram-se várias implementações de RV/RA, incluindo a criação de um membro virtual a partir da imagem espelhada de um membro intacto, controlo do membro virtual via sensores eletromagnéticos, interfaces cérebro-computador, e tratamentos virtuais em tablet. Todas as intervenções não imersivas mostraram reduções na intensidade da DMF, independentemente da tecnologia ou formato de apresentação. Onze estudos reportaram diminuição da DMF após tratamentos imersivos de RV/RA, sendo que sete alcançaram reduções estatisticamente significativas. Estes trabalhos documentaram também avaliações uniformemente altas de realismo, imersão e satisfação global com a experiência.

Discussão: A evidência mais robusta para um alívio clinicamente relevante e duradouro da DMF (≥ 30 % de redução da dor) provém de protocolos de execução motora virtual guiada por EMG e de RV totalmente imersiva com exercícios de jogos nos membros inferiores. As abordagens não imersivas em formato espelho e a RA em tablet apresentaram efeitos menores, mas ainda positivos. A heterogeneidade metodológica — tipo de tratamento, instrumentos de medida, duração do seguimento — limita as comparações diretas. O aumento da acessibilidade de sistemas imersivos de baixo custo tem reduzido barreiras à sua adoção clínica.

Conclusão: As terapias baseadas em RV/RA podem proporcionar analgesia significativa na DMF, sobretudo quando combinam execução ativa de movimentos, feedback multissensorial e tratamentos imersivos. Futuramente, são necessários ensaios clínicos aleatorizados de grande escala com protocolos padronizados, comparando formatos não imersivos versus imersivos, e com seguimento a longo prazo para definir o tratamento mais eficaz.

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Publicado

2026-07-31

Como Citar

1.
Vasconcelos Fonseca C, Gil M, Soutinho M, Rego Diniz J, Cotter MJ, Dias L. Espelhos Digitais: Realidade Virtual Aumentada para o Tratamento da Dor do Membro Fantasma. SPMFR [Internet]. 31 de Julho de 2026 [citado 31 de Julho de 2026];38(2):34-47. Disponível em: https://spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/view/562

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