Preservar ou substituir a rótula durante a artroplastia total do joelho influencia a reabilitação em internamento?

Jorge Barbosa, Fernanda Filipe, José António Santos

Resumo


Objectivos: Avaliar a repercussão da preservação ou substituição da rótula em doentes com gonartrose submetidos a artroplastia total do joelho (ATJ) na duração do internamento e evolução da funcionalidade após reabilitação em internamento num Serviço de Medicina Física e de Reabilitação (MFR).

Material e Métodos: Estudo retrospectivo comparativo entre dois grupos de 10 doentes cada submetidos a ATJ com preservação (grupo A) ou substituição (grupo B) da rótula, ambos com próteses do mesmo modelo e conservação do ligamento cruzado posterior. Grupos pareados para raça, género, idade e índice de massa corporal (IMC). Critérios de inclusão: gonartrose primária, ATJ primária unilateral e reabilitação em internamento em MFR. Critérios de exclusão: gonartrose secundária, artroplastia prévia dos membros inferiores, cirurgia bilateral e complicações pós-operatórias. Foram analisados a duração do internamento em MFR e os ganhos nas escalas de funcionalidade, flexibilidade do joelho, força muscular e autonomia na marcha, necessidade de ajudas técnicas, transferências e actividades de vida diária (AVD). Avaliaram-se também a duração da reabilitação no Serviço de Ortopedia, intercorrências no Serviço de MFR, comorbilidades e medicação.

Resultados: Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos no índice de massa corporal (p=0.880). Os dois grupos registaram diferenças estatisticamente significativas na idade (p=0.044). Não se encontrou evidência estatística de diferenças entre os grupos A e B na duração de internamento em MFR (p=0.569) e nos ganhos nas escalas de funcionalidade (valores de p superiores a 0.21) e na flexibilidade (valores de p>0.17), força muscular (p=1) e autonomia na marcha, ajudas técnicas e AVD (valores de p>0.34). Para todos os parâmetros, nos 20 doentes, verificou-se evidência de diferenças estatisticamente significativas nos registos obtidos nos momentos de entrada e alta do Serviço de MFR (valores de p inferiores a 0.01).

Conclusões: Na amostra em estudo, a opção entre a preservação ou substituição da rótula durante a ATJ primária unilateral parece não influenciar a duração do internamento e a evolução da funcionalidade após a reabilitação num Serviço de MFR. O programa de reabilitação em regime de internamento conduz a ganhos na funcionalidade e autonomia dos doentes.

Palavras-chave: Osteoartrose, Joelho; Artroplastia de Substituição do Joelho; Rótula; Reabilitação. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.94

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação