O Que Pode Esconder uma Aparente Escoliose Idiopática?

Eduardo Freitas Ferreira, Marta Amaral Silva, Elsa Marques

Resumo


A escoliose representa um motivo frequente de consulta em idade pediátrica. Apesar de poder ocorrer secundariamente a diversas patologias, a grande maioria dos casos é idiopática. Os tumores intramedulares, devido ao seu crescimento lento e comportamento infiltrativo, podem apresentar-se apenas com escoliose, sem outras alterações no exame neurológico. Assim, sobretudo nas fases precoces, estas escolioses podem comportar-se como idiopáticas e a distinção entre as duas entidades é difícil. No entanto, uma correta identificação da causa da escoliose é fundamental de modo a orientar o tratamento da patologia subjacente e estabilizar a progressão ou promover a regressão da escoliose. Neste contexto, existem diversas características atípicas para escoliose (red flags) que podem alertar para a presença de uma causa secundária e que devem suscitar um estudo complementar. Este trabalho apresenta dois casos clínicos de adolescentes seguidos em consulta especializada de MFR (alterações estáticas da coluna vertebral) com escoliose de comportamento semelhante à idiopática em que, após o início de sintomatologia neurológica, foi identificada a presença de uma neoplasia intramedular (astrocitoma pilocítico). O objetivo deste trabalho consiste em descrever este tipo de lesões, alertando para as principais características diferenciadoras da escoliose secundária a tumor medular a fim de permitir uma identificação e tratamento precoce.


Palavras-chave


Escoliose; Neoplasias da Medula Espinal

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.442

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