Importância do Estudo Urodinâmico em Doentes Pediátricos com Espinha Bífida: Estudo Retrospetivo

Simão Serrano, João Constantino, Iolanda Veiros, Carmen Costa

Resumo


Introdução: A bexiga neurogénica é frequente em doentes com espinha bífida e está associada ao aumento do risco de nefropatia e insuficiência renal. Avaliámos a importância da realização do estudo urodinâmico) na deteção e controlo das alterações vesico-esfincterianas.

Material e Métodos: Estudo retrospetivo, descritivo, inferencial dos doentes seguidos na nossa consulta de Espinha Bífida entre 2011 e 2013. Os dados foram analisados com Epi Info™ e SPSS®.

Resultados: Estudaram-se 96 doentes com média de idades de 14 anos. Destes, 94 tinham bexiga neurogénica e um quarto tinham infeções urinárias de repetição. No primeiro estudo urodinâmico, 56% apresentavam-se em regime de micção/perdas para fralda e do ponto de vista cistomanométrico 50% apresentava baixa capacidade cistométrica máxima e 70% hiperatividade do detrusor. Sugeriu-se introdução de algaliações intermitentes em 12%, farmacoterapia anticolinérgica em 44% e ambas em 39% dos casos. No último estudo urodinâmico, em resposta aos anticolinérgicos 27% aumentaram a capacidade cistométrica máxima para valores normais, 30% passaram a ter compliance vesical normal (p=0,031), 60% deixaram de apresentar hipertonia do detrusor (p=0,004) e 40% deixaram de apresentar hiperatividade do detrusor (p=0,004). Nos doentes submetidos a terapêutica anticolinérgica e regime de algaliações intermitentes, 57% aumentaram a capacidade cistométrica máxima para valores normais (p=0,039), 32% passaram a ter compliance normal, 63% deixaram de apresentar hipertonia terminal do detrusor (p=0,039) e 53% deixaram de apresentar hiperatividade do detrusor (p=0,012).

Conclusão: O estudo urodinâmico é fundamental na apreciação do comportamento vesical, permitindo a introdução, ajuste e monitorização de medidas terapêuticas.


Palavras-chave


Bexiga Urinaria Neurogénica; Criança; Disrafismo Espinal; Urodinâmica

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.248

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