Goniometria Digital Versus Goniometria Clássica na Avaliação da Mobilidade do Ombro: Um Estudo Piloto de Concordância

Hugo Couto Amorim, Rui Cadilha, José Santoalha, Afonso Rocha, Fernando Parada

Resumo


Introdução: A avaliação do arco de movimento do ombro tem importância clínica e é igualmente relevante para monitorizar a resposta ao tratamento. Os smartphones incorporam acelerómetros que permitem medições fáceis de executar mas a sua fiabilidade quando comparada com a do goniómetro clássico ainda não foi comprovada. Os autores propõem-se a determinar a reprodutibilidade intraobservador entre a goniometria clássica e a goniometria digital baseada na utilização de um smartphone na avaliação da flexão anterior ativa e da rotação externa ativa nas posições de ortostatismo e decúbito dorsal.

Material e Métodos: Foi selecionada uma amostra por conveniência de 16 voluntários saudáveis. As medições foram efetuadas por um observador independente em dois momentos diferentes com intervalo de uma semana. A ordem dos participantes e da sequência das medições foi aleatorizada. O observador foi treinado de acordo com um protocolo pré-estabelecido e este foi cego para os resultados intermédios. Foi avaliada a concordância entre métodos utilizando o coeficiente de correlação intraclasse, a inspeção visual dos plots de Bland-Altman e o cálculo dos limites de concordância.

Resultados: A reprodutibilidade intraobservador foi boa no que diz respeito à external rotation-standing intraclass correlation coefficient 0,87 (IC 95%: 0,66-0,95), external rotation-supine intraclass correlation coefficient 0,92 (IC 95%: 0,80-0,97)) e a active flexion standing intraclass correlation coefficient 0,92 (IC 95%: 0,78-0,97). A pontuação foi mais baixa na active flexion supine intraclass correlation coefficient 0,81 (IC 95%: 0,55-0,93).

Conclusões: A reprodutibilidade intraobservador foi boa entre a goniometria clássica e digital na rotação externa (independentemente da posição) e na flexão anterior em ortostatismo. A goniometria digital pode ser uma ferramenta fácil de usar no exame físico de indivíduos saudáveis mas a sua precisão e aplicabilidade em ambiente clínico ainda necessitam de verificação adicional.


Palavras-chave


Amplitude de Movimento Articular; Artrometria Articular; Ombro; Posicionamento do Paciente

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.253

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação