Efeitos da reabilitação do soalho pélvico na incontinência urinária

Maria João Azevedo, Horácio Azevedo, Carla Alves, José Vivas, Bárbara M. Cruz

Resumo


Objetivos: A incontinência urinária (IU) consiste na perda involuntária de urina. Pode ser classificada como IU de esforço, de urgência ou mista e possui vários graus de gravidade, repercutindo-se na qualidade de vida (QV) dos doentes. Os objetivos deste trabalho são avaliar os efeitos do tratamento fisiátrico na IU.

Material e Métodos: Análise retrospetiva baseada nos processos clínicos das doentes do sexo feminino enviadas da consulta de Ginecologia e submetidas a tratamento fisiátrico por IU de Janeiro de 2009 a Junho de 2010. Foram analisadas as variáveis através do SPSS® 17.0.

Resultados: Os 84 casos válidos (5 excluídos por abandono - 8,2%) apresentavam idade média de 53 anos. Destes, 59,5% tinham IU de esforço, 39,3% mista e 1,2% de urgência. A duração média da IU anteriormente à referenciação para Fisiatria foi 10 anos. Já haviam efetuado cirurgia para IU mas mantinham perdas urinárias 11,9%. Realizaram-se em média 22 sessões de fisioterapia. No final do tratamento 53,6% encontravam-se sem perdas urinárias, 23,8% consideravam-se subjetivamente melhor e 22,6% mantinham as mesmas queixas. Das doentes com cirurgia prévia, 70% melhoraram. A EVA (Escala Visual Analógica) média para impacto da IU na QV reduziu 50% após o tratamento. Retomaram o tratamento 14,3% por recidiva e 10,7% necessitaram de tratamento cirúrgico.

Conclusão: Apesar de se tratar de uma análise retrospetiva, com todas as limitações implícitas, este trabalho vem reforçar a importância de uma abordagem multidisciplinar nos casos de IU. Consideramos que a reabilitação tem efeitos benéficos na perceção (subjetiva) da redução das perdas urinárias e no aumento da QV das doentes, constituindo uma mais-valia inclusivamente após o tratamento cirúrgico falhado.

Palavras-chave: Incontinência urinária; Qualidade de vida; Reabilitação; Soalho pélvico. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.90

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação