Reabilitação pós cirúrgica da Doença de Dupuytren – um estudo retrospetivo

Carolina Pereira Barbeiro, Inês Mendes Ribeiro, André Ladeira, Ana Dias, Ana Cadete

Resumo


Introdução: A doença de Dupuytren é uma patologia proliferativa benigna do tecido conjuntivo que envolve a fáscia palmar. A primeira manifestação clínica reportada pelo doente é o espessamento da pele junto à articulação MCF. O 5º dedo é o mais afetado, e a doença de Dupuytren atinge mais frequentemente homens com mais de 40 anos. A diabetes mellitus, a dependência do álcool e do tabaco e o HIV estão associados a um maior risco de desenvolvimento da doença. O tratamento gold standart passa pela intervenção cirúrgica que está indicado em casos de doença avançada. A reabilitação pós-operatória deve começar entre 3 a 5 dias após a cirurgia com exercícios de manutenção de amplitudes articulares e uma tala palmar.

Objetivos: Caracterizar a população com doença de Dupuytren submetida a intervenção cirúrgica e avaliar os ganhos do programa de reabilitação pós-cirúrgico.

Método: Estudo retrospetivo e longitudinal com consulta dos arquivos clínicos dos doentes com doença de Dupuytren tratados cirurgicamente, avaliados e seguidos no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação de acordo com o programa de terapia ocupacional.

Resultados: De um total de 50 doentes com doença de Dupuytren tratados cirurgicamente entre Janeiro de 2014 e Agosto de 2015, 92% eram homens. A média de idades era de 64.22 anos de idade. Os fatores de risco associados foram predominantemente diabetes mellitus (22%), tabagismo (8%) e hábitos alcoólicos moderados a acentuados (6%). 54% dos doentes foram operados à mão direita, e a maioria dos doentes foi operada ao 5.º raio (38%). 42 doentes (84%) frequentaram o programa de reabilitação 2 vezes por semana. 13 doentes abandonaram o tratamento não tendo efetuado consulta de reavaliação. A média dos tratamentos foi de 70.14 dias (DP 42.5). Em comparação com o início e o fim do programa de reabilitação houve uma diferença significativa tanto na extensão como na flexão da MCF (p=0.00, p=0.03), da IFP (p=0.00, p=0.01), e na dor (p=0.00). Não se encontraram outras relações estatisticamente significativas.

Conclusão: A cirurgia seguida de um programa de reabilitação estruturado na doença de Dupuytren permite uma melhoria das amplitudes articulares e da dor. 


Palavras-chave


Doença de Dupuytren, Amplitudes articulares; Dor; Medicina Física e de Reabilitação

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.207

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação