Avaliação da Condução em Doentes com Lesão Medular

Autores

DOI:

https://doi.org/10.25759/spmfr.543

Palavras-chave:

Lesão Medular, Condução Automóvel, Adaptações, Reabilitação, Atividades de Vida Diária Instrumentais (AVDi)

Resumo

Introdução: A lesão medular (LM) é um dano na medula espinhal, com importantes repercussões na funcionalidade e participação nas atividades básicas de vida diária (AVD) e instrumentais (AVDi), podendo, inclusive, comprometer a capacidade de condução automóvel.

O presente estudo caracteriza uma amostra de doentes submetidos a avaliação de aptidão para a condução após LM, identificando as adaptações mais comuns nos veículos e as restrições impostas.

Métodos: Trata-se de um estudo observacional, analítico e retrospectivo, desenvolvido num centro de reabilitação que dispõe de consulta específica para avaliação da capacidade de condução. Foram revistos os processos clínicos de doentes com diagnóstico de LM avaliados nesse âmbito, nos últimos dois anos. Foram incluídas as variáveis idade, sexo, referenciação, etiologia, nível de LM, classificação AIS (American Spinal Injury Association Impairment Scale) e scores motores. Para efeitos de análise estatística recorreu- se ao software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 29.0.0.0 (IBM Corp., Armonk, NY).

Resultados: Foram incluídos 66 doentes, maioritariamente do sexo masculino (77,3%), com idade mediana de 59 anos, e referenciados da consulta externa (68,2%) do próprio centro. A etiologia foi sensivelmente representada de forma equitativa (LM de etiologia não traumática (50%) e traumática (48,5%) e a maioria das LM foi classificada em AIS D (71,2%). A maior parte dos doentes foi considerada apta para conduzir (98,48%), sendo as adaptações mais frequentes a seleção automática da relação de transmissão (56,1%) e o travão de mão (34,8%).

Um menor score motor dos membros inferiores e total associou-se a um maior número de adaptações (p<0,001), assim como lesões completas (AIS A) (p=0,003).

Conclusão: O nível de LM interfere diretamente na autonomia e, por conseguinte, na capacidade de condução. Uma avaliação criteriosa por parte de um fisiatra, após patologia ou trauma que possa comprometer esta competência, é fundamental para devolver autonomia ao doente e capacitá-lo para retomar a condução de forma segura e adaptada.

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Publicado

2026-07-31

Como Citar

1.
Ramalho J, Romeiro AI, Vasconcelos C, Rodrigues M, Almeida AR, Ribeiro Cunha M. Avaliação da Condução em Doentes com Lesão Medular. SPMFR [Internet]. 31 de Julho de 2026 [citado 31 de Julho de 2026];38(2):8-12. Disponível em: https://spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/view/543

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