"Uma Pegada na Reabilitação Pediátrica" - Projeto do Centro de Neuropediatria e Desenvolvimento de um Centro Hospitalar

Gisela Henriques Leandro, Katia Ferreira, Lúcia Gomes, Carla Mendonça, Daiana Ferreira, Carla Joaquim Botelho, Conceição Silva, Joana Costa

Resumo


Introdução: Avaliar os benefícios da terapia assistida por animais (TAA), na potenciação dos efeitos terapêuticos em crianças com alterações do neurodesenvolvimento. 

Material e Métodos: Selecionámos 3 crianças, seguidas em consulta de Medicina Física e de Reabilitação (MFR) e em tratamento no serviço de MFR: C1 de 15 meses (M), com sessões de terapia ocupacional (TO) desde os 4M, por atraso global do desenvolvimento psicomotor (AGDPM); C2 de 31M, com sessões de terapia da fala (TF) desde os 14M, por atraso no desenvolvimento da linguagem; C3 de 27M, com sessões de TO e TF desde os 9M, por AGDPM. Foram definidos objetivos gerais e específicos individualizados. Aplicou-se o Schedule of Growing Skills II (SGS-II), como instrumento de avaliação no início (T0) e no fim do estudo (3 meses depois - T1), para avaliar C1 e C3, e para avaliar C2 foram utilizados testes de articulação específicos em TF (aplicados em T0 e T1). A instrutora desenhou as atividades, em conjunto com a terapeuta da criança, e orientou o animal em sessão, sendo a cadela possuidora de treino de obediência e experiência profissional. Os pais assinaram o consentimento informado. As sessões decorreram uma vez por semana (45 minutos cada), sendo filmadas para posterior discussão do caso em equipa.

Resultados: De acordo com os parâmetros da SGS-II, avaliados em T0 e T1, constatámos que C1, de 15M, apresentou um desenvolvimento correspondente a uma idade média de 8M em T0 e 12M em T1, com uma melhoria no parâmetro da fala e linguagem (resultado correspondente ao desenvolvimento expectável de uma criança de 3M em T0 e 15M em T1) e na capacidade manipulativa (desenvolvimento correspondente a uma criança de 8M em T0 e 15M em T1). C2, de 31M, revelou, em T1, maior capacidade de construção de frases (não observada em T0), melhoria das praxias orofaciais e aumento do tempo de atenção/realização de tarefas. Em C3, de 27M não se verificou alteração dos valores cotados na escala de avaliação utilizada. Contudo, após visualização dos vídeos das sessões, observou-se um incremento nos tempos de atenção, organização de tarefas simples, compreensão de ordens simples e melhoria do número de vocalizações. 

Conclusão: A TAA emerge como um complemento às sessões terapêuticas, potenciando o trabalho desenvolvido pelos técnicos e, consequentemente, os resultados obtidos, nomeadamente nos casos específicos de crianças com dificuldade de interação com o terapeuta. Consideramos os resultados obtidos positivos, tendo em conta o curto tempo decorrido do programa. Inclusive em C3, onde, apesar de inalterado o resultado da escala de avaliação utilizada, constatou-se, após análise dos parâmetros observados aquando da revisão dos vídeos das sessões, uma melhoria global em todos eles.


Palavras-chave


Cães; Criança; Deficiências do Desenvolvimento/reabilitação; Perturbações Psicomotoras/ reabilitação; Terapia Assistida por Animais

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.357

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação