Efeito de uma ortótese tornozelo-pé na marcha e na mobilidade após AVC - estudo clínico

Ana Margarida Ferreira, Jennifer Pires, Filipe Carvalho, Anabela Pereira, Inês Campos, Jorge Laíns

Resumo


introdução: O objetivo deste estudo clínico é analisar o efeito do uso de uma ortótese tornozelo-pé na marcha e na mobilidade de doentes após acidente vascular cerebral (AVC) com pé equino e/ou varo.

Material e Métodos: Dezanove doentes vítimas de AVC, em fase subaguda a crónica, com pé equino e/ou varo, capazes de realizar marcha sem ajuda de terceira pessoa, foram avaliados com e sem ortótese tornozelo-pé. A função motora foi avaliada pela escala Fugl-Meyer, a mobilidade pelo teste timed up & go e a marcha analisada no sistema portátil GAITrite®.

Resultados: Verificou-se uma tendência de melhoria na mobilidade e nos parâmetros temporo-espaciais da marcha com o uso de ortótese tornozelo-pé, expressa pela diminuição do tempo na realização do teste timed up & go (43,00 para 39,77s, p = 0,064), pelo aumento da velocidade (32,10 para 42,00 cm/s, p = ns), pelo aumento da cadência (64,40 para 70,00 passos/minuto, p = ns), pela diminuição da duração do ciclo de marcha (1,86 para 1,71 s, p = ns) e pela diminuição da largura da base de apoio (14,67 para 14,55 cm, p = ns), sem significância estatística. O aumento da cadência com o uso de ortótese tornozelopé correlacionou-se moderadamente com uma pontuação menor na escala Fugl-Meyer do membro inferior função motora (CC =-0,616). O aumento da velocidade com o uso de ortótese tornozelo-pé correlacionou-se moderadamente com o seu uso prévio (CC = 0,600).

Conclusão: Do presente estudo concluiu-se que com o uso de ortótese tornozelo-pé há uma tendência de melhoria da mobilidade, de parâmetros temporo-espaciais e da simetria da marcha, contudo não estatisticamente significativa. Porém, as melhorias verificadas na marcha, ainda que pequenas, podem representar ganhos funcionais de grande importância para estes doentes. A correlação entre a diferença positiva da cadência com uso de ortótese em doentes com pontuação menor na escala Fugl-Meyer do membro inferior sugere que o uso desta ortótese é mais eficaz em doentes com pior quadro neuromotor. A correlação do uso prévio de ortótese com a melhoria da velocidade parece demostrar a importância do treino. Para comprovar o benefício do uso de ortótese tornozelo-pé em doentes após AVC com pé equino e/ou varo é necessário a realização de mais ensaios clínicos randomizados e controlados, com amostras de maior dimensão.


Palavras-chave


Acidente Vascular Cerebral; Aparelhos Ortopédicos; Destreza Motora; Marcha; Pé; Reabilitação do Acidente Vascular Cerebral/complicações; Recuperação de Função; Tornozelo

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.240

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