Disreflexia Autonómica: etiologia, incidência e caracterização demográfica.

Cristina Miranda Cruz, Marta Oliveira, Maria Berkeley Cotter, Ivone Soares, Fátima Martins Pereira

Resumo


Objetivo: determinar a incidência de disreflexia autonómica nos doentes com lesão medular durante o período de internamento; identificar a causas desencadeantes mais comuns; determinar que variáveis poderão influenciar a incidência de disreflexia autonómica.

Métodos: Foi conduzido um estudo retrospetivo num serviço de Medicina Física e de Reabilitação, tendo sido selecionados todos os doentes com lesão medular com nível sensitivo acima de T6 internados entre Janeiro de 2011 e Dezembro de 2013. A informação sobre o número de episódios de disreflexia autonómica, as características demográficas, as causas de disreflexia e a necessidade de utilizar medicação anti-hipertensora foi retirada dos registos clínicos dos pacientes incluídos.

Procedeu-se à análise estatística recorrendo ao statistical package for social sciences (SPSS).

Resultados: 12,7% dos pacientes incluídos desenvolveram pelo menos 1 episódio de disreflexia autonómica durante o período de internamento; 71,4% dos episódios de disreflexia autonómica ocorreram em doentes com lesão medular completa (AIS A); todos os episódios ocorreram em pacientes em que a causa da lesão medular foi o traumatismo vértebro-medular e com lesão medular com nível sensitivo cervical.

Os principais fatores desencadeantes de disreflexia autonómica foram de origem genitourinária (48%) ou gastrointestinal (44,2%). Houve necessidade de administrar medicação anti-hipertensora em 26,5% dos episódios.

Conclusão: A disreflexia autonómica parece ser um complicação relativamente comum nos doentes com lesão medular. É importante estar alerta para a possibilidade desta complicação, uma vez que o correto tratamento passa pelo reconhecimento atempado, pela imediata eliminação dos fatores desencadeantes e pela administração de tratamento farmacológico se necessário. 


Palavras-chave


Lesão Medular; Disreflexia Autonómica; Reabilitação

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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.162

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