Relação entre Comorbilidades e Nível de Atividade (Nível-K) em Doentes com Amputação dos Membros Inferiores
DOI:
https://doi.org/10.25759/spmfr.530Resumo
As amputações do membro inferior são uma condição frequente, associada a limitação funcional e com impacto significativo na qualidade de vida. A decisão de protetização ou não protetização destes doentes é complexa, exigindo uma avaliação especializada. Atualmente, não existem critérios universalmente aceites e validados para orientar a decisão de protetização, o que torna este processo frequentemente complexo e desafiante. O sistema de classificação funcional dos níveis de atividade (nível K) é uma das ferramentas habitualmente utilizadas para apoiar esta decisão, embora não tenha em consideração outros fatores relevantes, como as comorbilidades associadas. O objetivo deste estudo foi determinar se existe relação entre as comorbilidades dos doentes com amputação do membro inferior e o nível de atividade (nível K) atribuído por um médico fisiatra especialista em reabilitação de amputados.
Métodos: Estudo retrospectivo observacional incluindo 116 doentes admitidos em primeira consulta de reabilitação de amputados entre janeiro de 2022 a dezembro de 2023.
Resultados: Encontraram-se relações estatisticamente significativas (p<0,05) e com associação forte (V de Cramer ≥ 0.50) entre o nível K e o acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica (DAP). Na análise de subgrupos verificou-se uma associação forte entre o nível K e a DAP e diabetes mellitus (DM), ambas mais prevalentes nos níveis K mais baixos (K0 e K1). Patologias como o enfarte agudo do miocárdio (EAM), DM, doença renal crónica (DRC), HTA e dislipidemia (DL) também apresentaram uma associação estatisticamente significativa (p<0,05) apesar de moderadas. Por outro lado, a doença pulmonar crónica (DPOC), insuficiência cardíaca (IC) e o tabagismo não apresentaram associação com o nível K atribuído.
Conclusão: Doentes com níveis K mais baixos (K0 e K1) apresentam um número significativamente maior de comorbilidades quando comparados com doentes em níveis K mais altos (K2 e K3). As comorbilidades AVC, DM e DAP associam-se a níveis K mais baixos.
Downloads
Referências
Varma P, Stineman MG, Dillingham TR. Epidemiology of limb loss. Phys Med Rehabil Clin N Am. 2014;25(1):1–8.
Romano J, Caria N, Cavalheiro A, Cunha M, Cantista P. Characterization of a Portuguese major amputee population: 5 years of a Physical and Rehabilitation Medicine amputee unit. Rev SPMFR. 2025;53(1):9–12.
Matos JP, Carolino E, Ramos R. Epidemiological data on amputations performed in Portugal between 2000 and 2015. In: Lisbon: Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa; 2018.
Varma P, Stineman MG, Dillingham TR. Epidemiology of limb loss. Phys Med Rehabil Clin N Am. 2014;25(1):1–8.
Sinha R, van den Heuvel WJA, Arokiasamy P. Factors affecting quality of life in lower limb amputees. Prosthet Orthot Int. 2011;35(1):90-6.
Hamamura S, Chin T, Kuroda R, Akisue T, Iguchi T, Kohno H, et al. Factors affecting prosthetic rehabilitation outcomes in amputees aged 60 years and over. J Int Med Res. 2009;37(6):1921-7.
Vaz MI, Roque V, Pimentel S, Rocha A, Duro H. Psychosocial characterization of a Portuguese lower limb amputee population. Acta Med Port. 2012. Available from: www.actamedicaportuguesa.com
Kahle JT, Highsmith MJ, Schaepper H, Johannesson A, Orendurff MS, Kaufman KR. Predicting walking ability following lower limb amputation. Technol Innov. 2016;18:125-37.
American Orthotic and Prosthetic Association (AOPA). Lower limb prosthetic workgroup consensus document. 2017 Sep.
Gailey RS, Roach KE, Applegate EB, Cho B, Cunniffe B, Licht S, et al. The amputee mobility predictor: an instrument to assess determinants of the lower-limb amputee's ability to ambulate. Arch Phys Med Rehabil. 2002;83(5):613-27.
Borrenpohl D, Kaluf B, Major MJ. Survey of U.S. practitioners on the validity of the Medicare Functional Classification Level system and utility of clinical outcome measures for aiding K-level assignment. Arch Phys Med Rehabil. 2016;97(7):1053-63.
Hamamura S, Chin T, Kuroda R, Akisue T, Iguchi T, Kohno H, et al. Factors affecting prosthetic rehabilitation outcomes in amputees aged 60 years and over. J Int Med Res. 2009;37(6):1921-7.
Kahle JT, Highsmith MJ, Schaepper H, Johannesson A, Orendurff MS, Kaufman KR. Predicting walking ability following lower limb amputation. Technol Innov. 2016;18:125-37.
Chin T, Kuroda R, Akisue T, Iguchi T, Kurosaka M. Energy consumption during prosthetic walking and physical fitness in older hip disarticulation amputees. J Rehabil Res Dev. 2012;49(8):1255-60.
Wurdeman SR, Stevens PM, Campbell JH. Mobility Analysis of AmpuTees II: comorbidities and mobility in lower limb prosthesis users. Am J Phys Med Rehabil. 2018;97(11):782-8.
Webster JB, Hakimi KN, Williams RM, Turner AP, Norvell DC, Czerniecki JM. Prosthetic fitting, use, and satisfaction following lower-limb amputation: a prospective study. J Rehabil Res Dev. 2012;49(10):1493-504.
Chamlian TR. Use of prostheses in lower limb amputee patients due to peripheral arterial disease. Einstein (Sao Paulo). 2014;12(4):440-6.
Sinha R, van den Heuvel WJA, Arokiasamy P. Factors affecting quality of life in lower limb amputees. Prosthet Orthot Int. 2011;35(1):90-6.
Wurdeman SR, Stevens PM, Campbell JH. Mobility Analysis of AmpuTees II: comorbidities and mobility in lower limb prosthesis users. Am J Phys Med Rehabil. 2018;97(11):782-8.
Webster JB, Hakimi KN, Williams RM, Turner AP, Norvell DC, Czerniecki JM. Prosthetic fitting, use, and satisfaction following lower-limb amputation: a prospective study. J Rehabil Res Dev. 2012;49(10):1493-504.
Schutze W, Gable D, Ogola G, Yasin T, Madhukar N, Kamma B, et al. Sex, age, and other barriers for prosthetic referral following amputation and the impact on survival. J Vasc Surg. 2021;74(5):1659-67. https://doi.org/10.1016/j.jvs.2021.05.025
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
Os manuscritos devem ser acompanhados de declaração de originalidade, Autoria e de cedência dos direitos de propriedade do artigo, assinada por todos os Autores.
Quando o artigo é aceite para publicação é obrigatória a submissão de um documento digitalizado, assinado por todos os Autores, com a partilha dos direitos de Autor entre Autores e a Revista SPMFR, conforme minuta:
Declaração Copyright
Ao Editor-chefe da Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e Reabilitação
O(s) Autor(es) certifica(m) que o manuscrito intitulado:
____________________________________________________________________ (ref.Revista da SPMFR_________) é original, que todas as afirmações apresentadas como factos são baseados na investigação do(s) Autor(es), que o manuscrito, quer em parte quer no todo, não infringe nenhum copyright e não viola nenhum direito da privacidade, que não foi publicado em parte ou no todo e que não foi submetido para publicação, no todo ou em parte, noutra revista, e que os Autores têm o direito ao copyright.
Todos os Autores declaram ainda que participaram no trabalho, se responsabilizam por ele e que não existe, da parte de qualquer dos Autores conflito de interesses nas afirmações proferidas no trabalho.
Os Autores, ao submeterem o trabalho para publicação, partilham com a Revista da SPMFR todos os direitos a interesses do copyright do artigo.
Todos os Autores devem assinar
Data:
Nome(maiúsculas)
Assinatura
Relativamente à utilização por terceiros a Revista da SPMFR rege-se pelos termos da licença Creative Commons “Atribuição – uso Não-Comercial – Proibição de Realização de Obras derivadas (by-nc-nd)”.
Após publicação na Revista SPMFR, os Autores ficam autorizados a disponibilizar os seus artigos em repositórios das suas instituições de origem, desde que mencionem sempre onde foram publicados.
OS AUTORES DEVERÃO SUBMETER UMA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO / CONTRIBUTORSHIP STATEMENT INDICANDO O TIPO DE PARTICIPAÇÃO DE CADA AUTOR NO ARTIGO. Mais informações: https://authors.bmj.com/policies/bmj-policy-on-authorship/
