Doença arterial periférica: critério de exclusão na reabilitação ao exercício?

Silvia Magalhães, Afonso Rocha, Ana Isabel Silva, Fernando Parada

Resumo


Introdução: A Doença Arterial Periférica está fortemente associada a um risco cardiovascular aumentado e limitaa capacidade para a marcha, contribuindo ainda mais para a diminuição da atividade física, descondicionamento cardiopulmonar e muscular periférico, um perfil cardiovascular mais adverso e agravamento do prognóstico dacardiomiopatia isquémica.

Objectivo: Determinar a prevalência da claudicação vascular no contexto da reabilitação cardíaca em ambientehospitalar, e avaliar a sua influência nos resultados da reabilitação cardíaca, incluindo aspectos funcionais,psicossociais e de qualidade de vida.

População e Métodos: Estudo intervencional longitudinal dos doentes que completaram um programa de 2 mesesde reabilitação cardíaca fase II, recrutados entre outubro de 2008 e março de 2010. Dados sociodemográficos,clínicos, laboratoriais, ecocardiográficos e da capacidade funcional foram colhidos nos processos clínicos. Aqualidade de vida e a limitação da marcha foram avaliados pelo Short-Form 36 (SF-36) version 2 e WalkingImpairment Questionnaire (WIQ), respectivamente. Os autores sumarizaram a capacidade de marcha usando umvalor médio dos três componentes da WIQ e posteriormente categorizaram em 2 grupos: claudicantes (<80%) enão-claudicantes (≥80%).

Resultados: Um total de 126 doentes foi analisado, incluindo 47 (40,8%) com claudicação clínica. Excepto nogénero, com maior proporção de claudicantes no sexo masculino (p<0,05), não havia diferenças entre grupos naidade, nível educacional e estado profissional. A prevalência de hipertensão, diabetes, tabagismo, excesso de peso e obesidade abdominal foi maior no grupo claudicante. A incapacidade na marcha associou-se a maiores níveisde ansiedade, a sintomas depressivos, a diminuição da capacidade funcional e funcionalidade das componentesmentais e físicas da qualidade de vida associada à saúde, no início e no fim do programa. Ambos os gruposmostraram melhorias semelhantes nos parâmetros antropométricos, funcionais e de qualidade de vida.

Conclusões: Um programa de RC individualizado permite ganhos significativos na capacidade funcional equalidade de vida associada à saúde, mesmo nos mais incapacitados pela DAP. O ajuste da intensidade efrequência das sessões de treino permitirá melhorias significativas e a adesão às recomendações da prevençãosecundária da doença coronária neste subgrupo de doentes com patologia coronária.

Palavras-chave: Doença Arterial Periférica; Reabilitação Cardíaca.


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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.27

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação