Protocolo de Encerramento de Traqueotomia em Internamento em Reabilitação

Maria Cunha, João Barbosa, Paulo Margalho, Pedro Tomé, Jorge Laíns

Resumo


Objetivos: A traqueotomia e um procedimento frequente no tratamento de insuficiência respiratória do trato respiratório alto, por patologias neurológicas, traumáticas, oncológicas. Apresenta desvantagens como: dismorfia cervical, necessidade de limpeza e troca da cânula, dificuldades de comunicação oral, alimentação, ausência de função nasal e risco de traqueomalácia. Assim, o encerramento da traqueotomia é premente no processo de reabilitação do doente.

A remoção da cânula apenas deve ser considerada se a obstrução da via aérea superior estiver resolvida, as secreções respiratórias se apresentarem em quantidade mínima e não houver necessidade de ventilação mecânica.
Preditores de sucesso: capacidade de produzir tosse eficaz e ausência de fenómeno de aspiração.

Este procedimento requer cuidado, particularmente se uso prolongado e deverá encontrar-se padronizado sob a forma de protocolo para otimizar execução e minimizar riscos.
A MFR, em parceria com outras especialidades (ORL) e técnicos de saúde (enfermeiros, terapeutas da fala), tem um papel fundamental no encerramento de traqueotomia.

Através deste trabalho, apresenta-se o protocolo elaborado para uma instituição com internamento em MFR.

Material e métodos: Pesquisa bibliográfica acerca do manuseamento e protocolos de encerramento de traqueotomia.

Resultados: Protocolo resumido (passos a seguir):
- Desinsuflar cuff da cânula de traqueotomia
- Trocar por cânula sem cuff de diâmetro inferior - Encerramento parcial da cânula
- Encerramento completo
- Remoção da cânula e encerramento do estoma

Notas importantes:
- Definir médico responsável
- Confirmar condições necessárias e avaliar a necessidade de adaptar o protocolo em reunião de equipa pluriprofissional.

  • Informar o doente sobre vantagens/inconvenientes e recolha do consentimento informado

  • Ensino do doente e cuidadores sobre como atuar se dispneia súbita

  • Monitorizar saturação de O2 e vigilância próxima do doente

  • Cada passo do processo com duração mínima de 12 horas

 

Conclusões: As competências e conhecimentos da equipa de MFR são essenciais na abordagem abrangente do manuseamento das vias aéreas, no que diz respeito ao encerramento de traqueotomia.

Após retirada da ventilação mecânica, o procedimento pode ser executado adequadamente por esta equipa. O recurso a um protocolo é uma mais-valia na sua realização.
A informação com valor científico nesta área é escassa e estudos válidos são fundamentais para a definição de normas orientadoras para a sua uniformização.

A MFR deverá contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos doentes portadores de traqueotomia.

Palavras-chave: Traqueotomia; Manuseamento da Via Aérea; Reabilitação.


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DOI: http://dx.doi.org/10.25759/spmfr.10

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Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação